Biografia

1907

Paulo Cabral da Rocha Werneck nasce em Laranjeiras, Rio de Janeiro, no dia 29 de julho. Filho do engenheiro José Inácio Werneck e de Regina Cabral da Rocha Werneck, era o caçula de nove irmãos.

Parte de sua infância é vivida em Feliz Consórcio, fazenda da família em Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro.

c.1914

Ingressa no Colégio Santo Antonio Maria Zaccaria, no Catete, Rio de Janeiro. Tem como colegas de turma Marcelo Roberto (1908/1964) e Oscar Niemeyer (1907).

1926

Casa-se com Yolanda Mattoso Maia.

1927

Inicia sua carreira profissional, com a publicação de desenhos na revista A Época, dos estudantes de direito da Universidade Federal. A seguir, ilustra diversos livros e periódicos como Revista Souza Cruz, Fon-Fon, Para Todos, Esfera, Diretrizes, Sombra, Rio Magazine e os jornais A Esquerda, Diário de Notícias, A Manhã, Correio da Manhã, Tribuna Popular, Para Todos, Imprensa Popular e outros.

Só para Imprensa Popular teria feito mais de 300 ilustrações.

1928

Nasce Regina Yolanda, única filha do casal.

Divide escritório com Marcelo Roberto na Rua Sachet, em Vila Isabel, no mesmo pavimento onde funcionava a revista Técnica e Arte. Logo depois ocupam um espaço cedido pelo IAB, na Rua da Quitanda, 21. Realizam desenhos para capas de revista, artigos, anúncios, decorações de interior, decoração para teatro e para bailes de carnaval, como aqueles feitos para o Botafogo Football Club, Tennis Club de Petrópolis e outros. Com o arquiteto Celestino Severo de San Juan aprendeu desenho de arquitetura, e passa a concentrar-se na realização de perspectivas primorosas.

Torna-se chefe do Serviço de Cartografia do Departamento de Geografia e Estatística da Prefeitura do antigo Distrito Federal, cargo que exerceu por oito anos.

1935

Inicia suas atividades como desenhista no escritório de MM Roberto. São de sua autoria as perspectivas de apresentação do projeto do então jovem arquiteto Marcelo Roberto para a Associação Brasileira de Imprensa – ABI, o primeiro edifício modernista a ser construído no Rio de Janeiro, em 1938. O projeto foi vitorioso no concurso promovido pela instituição.

Participa da 1ª Exposição de Arte Social, organizada pelo Club de Cultura Moderna.

Meados da década de 30. O mundo há poucos anos da guerra não realiza mais nada. A arquitetura está em crise. No Brasil oito ou dez arquitetos, preparadíssimos, aguardam uma oportunidade. Le Corbusier vem ao Brasil, surge a possibilidade dos projetos da ABI e do Ministério da Educação. Espouca uma arquitetura nova, brasileira. Uma arquitetura de cores e curvas, inteiramente adaptada às condições do país para onde é feita. Os arquitetos brasileiros passam a ser nomes mundiais. No meio deles, colaborando com eles, também inovando com seus painéis de mosaico cerâmico, Paulo Werneck. Está aí um artista eternamente ligado ao movimento mais importante da arquitetura brasileira.
Maurício Roberto, 1991

1938

Participa em junho do 2º Salão de Maio no Hotel Esplanada, em São Paulo, organizado por Quirino da Silva, Geraldo Ferraz e outros, com desenho em bico de pena.

1939

Publica Lenda da carnaubeira, livro infantil com texto de Margarida Estrela Bandeira Duarte e ilustrações em litografia do artista. Em 1940, uma versão em inglês é publicada pela editora norte-americana Grosset & Dunlap.

1941

Publica o livro infantil Negrinho do pastoreio, pela editora Civilização Brasileira.

1942

É apresentado a Jorge Ludolf, industrial, técnico e fabricante de diversos tipos de cerâmica, que o ajudou na execução da primeira encomenda: os painéis de mosaico para o terraço-jardim do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB).

Realiza conjunto de seis painéis para o terraço-jardim do Instituto. Os painéis em mosaico cerâmico dão início à pesquisa abstrata do artista e formam um contraponto aos jardins de Burle Marx.

1943

Por encomenda do arquiteto Oscar Niemeyer realiza painel em mosaico para a Casa de Juscelino Kubitschek, assim como conjunto de azulejos para a Casa do Baile, o Iate Clube e o Cassino da Pampulha, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Realiza cinco painéis figurativos para o terraço do edifício do Ministério da Fazenda, no Rio de Janeiro.

1944

Por encomenda de Oscar Niemeyer realiza dois painéis abstratos em mosaico para as faces externas da Igreja de São Francisco de Assis da Pampulha, em Belo Horizonte.

1945

Conclui o sétimo painel para o IRB.

Participa de exposição coletiva em Londres em benefício do Royal Air Force Benevolent Fund.

1946/47

Participa do 52º Salão Nacional de Belas Artes com o desenho Retirantes e obtém Medalha de Prata. Participa também com um painel de mosaico cerâmico na seção de artes aplicadas.

Executa dois painéis para a sede do Banco Boavista, no Rio de Janeiro, por encomenda de Oscar Niemeyer.

Sempre que me permitem, convoco os artistas plásticos. Na obra do memorial da América Latina convoquei nove pintores e cinco escultores. Na da Pampulha, meu primeiro projeto, convidei Portinari, Ceschiatti e Paulo Werneck. Eram grandes artistas, bons amigos e, como é natural, a eles sempre recorri.
Oscar Niemeyer, As Curvas no Tempo/Memórias.
Rio de Janeiro: Revan, 1998

Projeta dois painéis em mosaico para o Aeroporto Santos Dumont, por encomenda dos Irmãos Roberto. Os painéis não chegam a ser executados.

Realiza, por encomenda dos Irmãos Roberto, painel para as instalações de lazer do IRB, no Alto da Boa Vista.

Realiza painel para o Colégio Cataguases, em Minas Gerais, por encomenda de Oscar Niemeyer.

1948

Participa do 53º Salão Nacional de Belas Artes com uma mesa de mosaico na seção de artes aplicadas. É premiado com duas Medalhas de Prata nas seções de Desenho e Arte Decorativa no Salão Oficial – Divisão Moderna.

Realiza painel para a Residência de Nélia e José Peixoto, em Cataguases (MG), por encomenda do arquiteto Edgar Guimarães do Vale.

Realiza dois painéis para o Senai–Benfica (projeto dos Irmãos Roberto).

1949

Participa do 54º Salão Nacional de Belas Artes com projeto para painel em mosaico cerâmico.

Realiza painéis em estilo modular para a empena do Edifício Seguradoras, por encomenda dos Irmãos Roberto. No mesmo edifício realiza, em 1950, painel e piso em pedras portuguesas para o hall de entrada.

1950

Projeta painel para a residência de Walther Moreira Salles, por encomenda de Olavo Redig de Campos. Documentos comprovam ter recebido pelo serviço, mas, por razões que a pesquisa não revelou, o painel não foi executado.

Desenha painel abstrato para o Hotel Quitandinha, em Petrópolis, projeto também não executado de Oscar Niemeyer.

Participa do júri do Salão Nacional de Artes Plásticas National junto com Antonio Bento, Athos Bulcão, Augusto Rodrigues, Burle Marx, Gastão Worms, Joaquim Tenreiro, Percy Lau, Santa Rosa and Ubi Bava.

1951

Realiza painel em estilo abstrato para restaurante do edifício da Revista O Cruzeiro, no Rio de Janeiro, projeto de Oscar Niemeyer.

Realiza painel em estilo modular para o Teatro Popular Armando Gonzaga, de Affonso Eduardo Reidy, em Marechal Hermes, no Rio.

Conhece Cleusa Deveza, sua segunda mulher, com quem se casaria anos mais tarde.

1953

Morre Milton Roberto, o segundo dos três Irmãos Roberto.

1955

Realiza painel abstrato para o edifício residencial Guarabira, no Flamengo, Rio de Janeiro, projeto dos Irmãos Roberto.

Projeta painel para o Banco Mineiro da Produção, em Belo Horizonte (MG), projeto de Oscar Niemeyer.
Realiza dois painéis para o hall de entrada do Edifício Marquês do Herval, no Rio de Janeiro.

Evidentemente, às vezes, necessitamos valorizar, alegrar, dramatizar um muro, um recanto. Um painel, uma forma, uma estátua, colocados de modo justo, complementam e valorizam o nosso trabalho. Mas é necessário cuidado: muita obra razoável tem sido prejudicada pela violência do complemento, repetindo o acontecido com as capelas Scrovegni, Brancacci e Sixtina, sem a grandiosa compensação do mais sublime Giotto, do mais fabuloso Masaccio e do mesmo Michelangelo. Mas creio que em muitos casos é imprescindível a colaboração do artista plástico. E, nesses casos, agradamos particularmente trabalhar com Paulo Werneck, grande artista e magnífico artesão. Convivendo desde o colégio com Oscar Niemeyer e comigo e, por nosso intermédio, com vários outros arquitetos, conhece profundamente qual a colaboração que necessitamos. Depois, nunca tendo em toda sua vida pintado um quadro de cavalete, não corremos o risco dele colocar em nossos muros ampliações esquemáticas de trabalhos que ficariam provavelmente esplêndidos, porém em menores dimensões e emoldurados e pintados a óleo.
Marcelo Roberto em entrevista a Jaime Maurício para o Correio da Manhã, 1955.

1956

Realiza dois painéis para o hall de entrada do Estádio do Maracanã.

Realiza o primeiro painel para agência do Banco do Brasil em São José do Rio Pardo (SP).

1958/60

A convite de Oscar Niemeyer participa da construção de Brasília com painéis em mosaico de vidro e estilo modular para o Hotel de Turismo de Brasília (Brasília Palace Hotel), para o Senado e para o Palácio do Itamaraty.

Ainda em Brasília realiza, em 1960, a convite de Maurício Roberto, painel para o Banco de Créditos da Amazônia (atual Banco Regional de Brasília).

1961

Realiza painéis em estilo modular para as bilheterias do Estádio do Maracanã.

1964

Morre Marcelo Roberto, o irmão mais velho e grande incentivador de Paulo Werneck.

1979

Expõe desenhos na Galeria Eucatexpo, em Brasília.

1983

Participa de exposição coletiva no Instituto Brasil–União Soviética, no Rio de Janeiro.

1986

Expõe pinturas em exposição coletiva no Rio Othon Palace Hotel, no Rio de Janeiro.

O Paulo não foi um pintor de cavalete de quadros. Ele emprestava sua arte às construções, com seus murais, dava dignidade às paredes…
Darcy Ribeiro – em entrevista para Paula Saldanha

1960/80

A partir da década de 60, e principalmente na década de 70, Paulo Werneck realiza uma série de painéis para o Banco do Brasil em cerca de cem agências em todo o país. Entre os seus primeiros painéis para o Banco do Brasil estão os de Copacabana, no Rio, e o de Recife. Nesse período, o artista aprofunda sua pesquisa com técnica do mosaico e com materiais diversos como madeira, poliéster, vidro e fórmica. Rubem Serra, Paulo Villela e Marcelo Campelo, arquitetos do Banco, foram seus maiores incentivadores.
Nos anos 80, volta ao desenho e à pintura com uma série de obras figurativas que têm a natureza brasileira como tema principal.
Fizeram parte de seu círculo de amizades artistas, escritores e arquitetos. Dentre os mais íntimos, citamos Cândido Portinari, Oscar Niemeyer, Marcelo Roberto, Firmino Saldanha, Carlos Scliar, Israel Pedrosa, Clotilde e Luis Carlos Prestes, Glauco Rodrigues, Aristides Saldanha, João Saldanha, Otto Muller e Chlau Deveza.
Foi um grande apreciador da música popular brasileira, com interesse especial por Noel Rosa e Cartola. Durante anos desfilou na Portela com fantasias especialmente criadas para cada enredo.

1987

Morre aos 80 anos, no Rio de Janeiro, vítima de câncer.